Barão da Ibiapaba foi o primeiro presidente da Junta Comercial e liderou a organização do comércio no Ceará

20 de maio de 2026 - 13:39 # # # #

A história do registro empresarial no Ceará começa oficialmente em 09 de maio de 1877, com a instalação da então Junta Comercial da Praça da Cidade de Fortaleza. O primeiro presidente da instituição foi Joaquim da Cunha Freire, o Barão da Ibiapaba, comerciante de destaque e uma das figuras mais influentes da economia cearense no século XIX.

À frente da nova estrutura administrativa, o Barão da Ibiapaba assumiu a missão de organizar formalmente o comércio da província em um período marcado por profundas dificuldades econômicas, especialmente em razão da Grande Seca iniciada naquele mesmo ano.

Quem foi o Barão da Ibiapaba

Joaquim da Cunha Freire nasceu em 1827, em Caucaia, e dedicou-se desde jovem ao comércio de importação e exportação. Segundo o historiador Guilherme Studart, conhecido como Barão de Studart, acumulou uma das maiores fortunas do Norte do Brasil no século XIX.

Sua atuação foi marcada por iniciativas em favor do desenvolvimento da província. Doou recursos para a conclusão da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza na década de 1860, integrou a Comissão de Libertação dos Escravos em 1868 por nomeação do governo provincial e participou da parceria que deu origem à Estrada de Ferro de Baturité.

Além disso, exerceu funções públicas relevantes, como presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, da Caixa Econômica e vice-presidente da Província do Ceará, chegando a assumir a presidência da província interinamente.

Um marco institucional

A criação da Junta Comercial representou um avanço estrutural para o ambiente de negócios local. Antes de 1877, os comerciantes cearenses precisavam registrar suas firmas em Recife, onde funcionava o Tribunal do Comércio da região.

A informação é registrada pelo historiador Geraldo da Silva Nobre, na obra Processo de Industrialização do Ceará, ao descrever as dificuldades enfrentadas pelos empresários da província no século XIX devido à centralização em Pernambuco.

Ao assumir a presidência inaugural, o Barão da Ibiapaba liderou o início da institucionalização do registro empresarial no Ceará, estabelecendo bases administrativas que sustentariam a evolução da atual Junta Comercial do Estado do Ceará (Jucec) ao longo de 150 anos.

A primeira direção da Junta Comercial

A primeira direção da Junta Comercial cearense foi composta por representantes de diferentes setores da atividade produtiva e comercial da província. Integravam a estrutura inicial:

– Joaquim da Cunha Freire (Barão da Ibiapaba): Presidente (representando também as atividades produtoras)

– Joaquim Mendes da Cruz Guimarães Júnior: Secretário-geral

– Hermínio Olímpio da Rocha: Arquivista

– Miguel Fernandes Vieira: Tesoureiro

– Luiz de Seixas Carvalho: Deputado Comercial (representante do comércio)

– Antônio dos Santos Braga Júnior: Deputado Comercial

– José Cândido Cavalcante: Deputado Comercial

– João Cordeiro: Deputado Comercial suplente

O secretário-geral Joaquim Mendes da Cruz Guimarães Júnior era bacharel em Direito, promotor público em Quixeramobim e deputado provincial, pertencente a uma tradicional família ligada ao comércio atacadista de Fortaleza e Aracati.

O tesoureiro Miguel Fernandes Vieira era descendente do Barão do Icó, pertencente a uma família de grande prestígio político e responsável por relevantes empreendimentos de importação e exportação na província.

Entre os representantes do comércio estavam nomes fortemente ligados ao movimento abolicionista, como Luiz de Seixas Carvalho, comerciante de destaque na praça de Fortaleza, e João Cordeiro, influente líder empresarial que presidiu a Associação Comercial do Ceará (ACC) anos mais tarde e teve atuação histórica e heróica no socorro e na libertação das vítimas da seca.